segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Estréia - Grandes Olhos



 Grandes Olhos (Big Eyes) Dirigido por Tim Burton. Com Amy Adams e Christopher Waltz.

Amy Adams venceu o Globo de Ouro
   Esse simpático filme de Tim Burton sofreu do mal da alta expectativa. A distribuidora do filme, a Weinstream Company, é especialista em fazer campanha para o Oscar e demais premiações, a história era real e interessante, os atores do elenco eram todos bons, uma das cantoras do momento Lana Del Rey foi escolhida para fazer canções  para o filme e o diretor Tim Burton parecia estar querendo finalmente ser reconhecido pela academia – depois de bater na trave anos atrás com “Ed Wood” (1994) e posteriormente com “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007). Mas com essas expectativas e um ano cheio de cinebiografias tão bem feitas (especialmente “A Teoria de Tudo” e “O Jogo da Imitação”), essa, menos bem resolvida dramaticamente e não tanto explorada quanto poderia, acabou indo para escanteio e ganhando o rótulo de “decepção”. Bem, não é bem assim. O globo de ouro acenou positivamente para o filme lhe dando três indicações, incluindo atriz (Adams, que venceu) e ator (Waltz), mas elas aconteceram porque conseguiram colocar o filme para concorrer entre as comédias e os musicais (e não entre os dramas), o que inicialmente não era o planejado, mas aconteceu graças, sobretudo, a recepção morna. Há doses de humor, mas nada que o consiga o classificar como comédia. Isso certamente foi uma jogada para não deixar o filme de fora.                                         
Watz foi indicado ao Globo de Ouro
       Dito isso, o filme segue a vida da pintora Magareth Keane (Amy Adams), que pintava em feiras como hobby enquanto batalhava par sustentar ela e a filha, já que havia se divorciado e queria total distância do ex-marido. Ela acaba se casando com Walter Keane (Christopher Waltz), um pintor sedutor e inteligente, mas que se limita a pintar banais pontos turísticos. Ela tem uma arte mais interessante, pinta crianças com olhos grandes e expressivos (por isso o título do filme), que virou sua marca. Com a lábia e os contatos do marido, acaba conseguindo expor as telas suas e as deles também. As dela acabam ganhando muito mais notoriedade. Ele, vaidoso e marqueteiro, acaba confirmando que ele é que pinta os quadros. E dessa forma começa o sucesso (dele) como (falso) artista e uma enchurada de mentiras. 
O filme ficou completamente fora da corrida do Oscar
    Burton estar em tom bem menor que seu habitual. E parece mesmo estar querendo agradar. Há basicamente apenas uma cena no supermercado onde toca a música “Big Eyes” de Lana Del Rey, que concorreu ao Globo de Ouro e ao Critic’s Choice Awards, onde nitidamente se percebe que trata-se de um filme de Tim Burton. Mas no geral o longa segue várias táticas que já deram certo, como toda a estética do filme soar como se fosse um quadro da prórpria Magareth em moviemento (isso tem na cinebiografia de “Frida”), coloca a verdadeira pintora em ponta (há isso em “Erin Brochvinch – Uma Mulher de Talento”) e a trilha sonora sendo por vezes melosa e ditando as emoções para o espectador. Além do mais, temos Adams e Waltz em papéis habituais. Ela como a mulher ingênua e boazinha, mas com alguma personalidade e ele como o vilão carismático de jeito esquisito. Amy segura bem o papel, embora seja prejudicada por usar peruca muito falsa. Ao menos, as lentes de contato azuis reaçam seu par de olhos expressivos. Ela venceu seu segundo Globo de Ouro consecutivo (venceu ano passado na mesma categoria: melhor atriz - comédia/musical por "Trapaça"), mas, dessa vez, ficou de fora do Oscar. E realmente, apesar de seu bom trabalho, dessa vez, não merecia tal nomeação. Waltz faz seu personagem habitual, não há muito sinal de “composição” de personagem, a não ser o fato dele estar um pouco mais contido por se tratar de um filme biográfico, com drama pé no chão. Ainda assim, sua tendência a ir ao cômico acaba sendo mal explorada e, principalmente, próximo do final isso acaba ficando deslocado. 
   O conflito da personagem poderia ser mais bem explorado, assim como os coadjuvantes, como em um drama psicológico, que era o que se esperava que o filme fosse, mas o clima é leve e a narrativa coriqueira. Ele estar mais preocupada em contar todos os acontecimento do que aprofundar nas personagens. Ainda assim, não se pode ignorar que tudo é contado de forma clara e simpática, com um belo visual e com direito a momentos interessantes de visão socio-cultural. Enfim, quem se interessar pela história e não criar muitas expectativas, deve se envolver com o filme.  

         



 

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