domingo, 4 de janeiro de 2015

Estréia - A Entrevista



A Entrevista (The Interview) Estados Unidos, 14. Direção de Seth Rogen e Evan Goldberg. Com Seth Rogen, James Franco, Lizzy Caplan, Diana Bang eRandall Park. 112 min.


Uma polêmica é boa quando não é vázia, o que não é o caso da criada por “A Entrevista”, porque se dá totalmente por fatores externos e nada pelo filme em si, que pouco se difere dos que já vimos (e melhor) nos Estados Unidos. Tudo se deu por que o filme resolve satirizar, dentre outras coisas habituais (como os próprios protagonistas e atores em participações especiais), a Coréia do Norte, que vive em um regime de ditadura. O país não gostou nada disso e ameaçou ataques terroristas em cinemas onde o filme entra-se em cartaz. Por isso, houve a transferência para uma estréia on-line do filme. Isso acabou atraindo bastante atenção dos curiosos. Mas o filme em si não tem nada de muito crítico ou ousado, é apenas mais uma comédia americana baseada em citações a cultura pop atual, bromance e apostando em situações de constragimento e até do ridículo. Nesse mesmo ano, houve exemplos melhores, como “Vizinhos”, estreldo pelo próprio Seth Rogen, e “Anjos da Lei 2”. Tirando as referências ao país ditatorial, sobra apenas mais um exemplo de filme para garatões nessa mesmo vibe, mas com menos inspiração e bons momentos.
Rogen e Franco trabalham em um programa de entrevista de humor. Quando descobrem que o líder da Coréia do Norte é fã dele, eles resolvem realizar uma entrevista com ele lá na Coréia. O FBI descobre e resolve bolar com eles um plano para matar o ditador. Embora a trama seja interessante e tenha algo de original, o clima de repetição percorre todo o filme, incluindo mais insinuações que James Franco é gay. Ele, inclusive, estar histérico no papel, abusando da persona que criou para si. Ele como ele mesmo em “É o Fim” é mais engraçado e convicente. Seth Rogen não cai na mesma linha do over e se mantém mais contido e eficiente como de costume. Lizzy Caplan, de Masters of Sex, como uma agente de FBI tem pouco espaço ou que fazer, já Randall Park, que sempre faz pontas em comédias, realmente convence como presidente ditador Ken. A novata Diana Bang tem participação que beira ao ridícul como uma das fiéis esculdeiras do presidente.
Franco, entre os cotados para piores do ano
É inegável que há bons momentos (a cena com Eminem logo no começo), mas faltou inspiração e maior aproveitamento da história tão polêmica. A maioria das piadas parece reciclada inclusive pelo próprio filme que costuma cair em repetição. Graças as polêmicas envolvendo o filme, ele acabou gerando atenção suficiente para entrar na pré-lista do Framboesa de Ouro, que “premia” os piores do ano, embora não deva entrar na lista de indicados finais. Se ocorrer, provavelmente, será por conta dos excessos de Franco.

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