A Entrevista (The Interview) Estados Unidos, 14. Direção de Seth Rogen e Evan Goldberg. Com Seth Rogen, James Franco, Lizzy Caplan, Diana Bang eRandall Park. 112 min.
Uma polêmica é boa quando
não é vázia, o que não é o caso da criada por “A Entrevista”, porque se dá
totalmente por fatores externos e nada pelo filme em si, que pouco se difere dos que já
vimos (e melhor) nos Estados Unidos. Tudo se deu por que o filme resolve satirizar,
dentre outras coisas habituais (como os próprios protagonistas e atores em
participações especiais), a Coréia do Norte, que vive em um regime de ditadura.
O país não gostou nada disso e ameaçou ataques terroristas em cinemas onde o
filme entra-se em cartaz. Por isso, houve a transferência para uma estréia
on-line do filme. Isso acabou atraindo bastante atenção dos curiosos. Mas o
filme em si não tem nada de muito crítico ou ousado, é apenas mais uma comédia
americana baseada em citações a cultura pop atual, bromance e apostando em
situações de constragimento e até do ridículo. Nesse mesmo ano, houve exemplos
melhores, como “Vizinhos”, estreldo pelo próprio Seth Rogen, e “Anjos da Lei 2”.
Tirando as referências ao país ditatorial, sobra apenas mais um exemplo de
filme para garatões nessa mesmo vibe, mas com menos inspiração e bons
momentos.
Rogen e Franco trabalham em um programa de entrevista de humor. Quando descobrem que o líder da Coréia do Norte é fã dele, eles resolvem realizar uma entrevista com ele lá na Coréia. O FBI descobre e resolve bolar com eles um plano para matar o ditador. Embora a trama seja interessante e tenha algo de original, o clima de repetição
percorre todo o filme, incluindo mais insinuações que James Franco é gay.
Ele, inclusive, estar histérico no papel, abusando da persona que criou para
si. Ele como ele mesmo em “É o Fim” é mais engraçado e convicente. Seth Rogen não
cai na mesma linha do over e se mantém mais contido e eficiente como de
costume. Lizzy Caplan, de Masters of Sex, como uma agente de FBI tem pouco
espaço ou que fazer, já Randall Park, que sempre faz pontas em comédias,
realmente convence como presidente ditador Ken. A novata Diana Bang tem
participação que beira ao ridícul como uma das fiéis esculdeiras do presidente.
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| Franco, entre os cotados para piores do ano |
É inegável que há bons
momentos (a cena com Eminem logo no começo), mas faltou inspiração e maior
aproveitamento da história tão polêmica. A maioria das piadas parece reciclada
inclusive pelo próprio filme que costuma cair em repetição. Graças as polêmicas envolvendo o filme, ele acabou gerando atenção suficiente para entrar na pré-lista do Framboesa de Ouro, que
“premia” os piores do ano, embora não deva entrar na lista de indicados finais. Se
ocorrer, provavelmente, será por conta dos excessos de Franco.


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