segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Estréia - Grandes Olhos



 Grandes Olhos (Big Eyes) Dirigido por Tim Burton. Com Amy Adams e Christopher Waltz.

Amy Adams venceu o Globo de Ouro
   Esse simpático filme de Tim Burton sofreu do mal da alta expectativa. A distribuidora do filme, a Weinstream Company, é especialista em fazer campanha para o Oscar e demais premiações, a história era real e interessante, os atores do elenco eram todos bons, uma das cantoras do momento Lana Del Rey foi escolhida para fazer canções  para o filme e o diretor Tim Burton parecia estar querendo finalmente ser reconhecido pela academia – depois de bater na trave anos atrás com “Ed Wood” (1994) e posteriormente com “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007). Mas com essas expectativas e um ano cheio de cinebiografias tão bem feitas (especialmente “A Teoria de Tudo” e “O Jogo da Imitação”), essa, menos bem resolvida dramaticamente e não tanto explorada quanto poderia, acabou indo para escanteio e ganhando o rótulo de “decepção”. Bem, não é bem assim. O globo de ouro acenou positivamente para o filme lhe dando três indicações, incluindo atriz (Adams, que venceu) e ator (Waltz), mas elas aconteceram porque conseguiram colocar o filme para concorrer entre as comédias e os musicais (e não entre os dramas), o que inicialmente não era o planejado, mas aconteceu graças, sobretudo, a recepção morna. Há doses de humor, mas nada que o consiga o classificar como comédia. Isso certamente foi uma jogada para não deixar o filme de fora.                                         
Watz foi indicado ao Globo de Ouro
       Dito isso, o filme segue a vida da pintora Magareth Keane (Amy Adams), que pintava em feiras como hobby enquanto batalhava par sustentar ela e a filha, já que havia se divorciado e queria total distância do ex-marido. Ela acaba se casando com Walter Keane (Christopher Waltz), um pintor sedutor e inteligente, mas que se limita a pintar banais pontos turísticos. Ela tem uma arte mais interessante, pinta crianças com olhos grandes e expressivos (por isso o título do filme), que virou sua marca. Com a lábia e os contatos do marido, acaba conseguindo expor as telas suas e as deles também. As dela acabam ganhando muito mais notoriedade. Ele, vaidoso e marqueteiro, acaba confirmando que ele é que pinta os quadros. E dessa forma começa o sucesso (dele) como (falso) artista e uma enchurada de mentiras. 
O filme ficou completamente fora da corrida do Oscar
    Burton estar em tom bem menor que seu habitual. E parece mesmo estar querendo agradar. Há basicamente apenas uma cena no supermercado onde toca a música “Big Eyes” de Lana Del Rey, que concorreu ao Globo de Ouro e ao Critic’s Choice Awards, onde nitidamente se percebe que trata-se de um filme de Tim Burton. Mas no geral o longa segue várias táticas que já deram certo, como toda a estética do filme soar como se fosse um quadro da prórpria Magareth em moviemento (isso tem na cinebiografia de “Frida”), coloca a verdadeira pintora em ponta (há isso em “Erin Brochvinch – Uma Mulher de Talento”) e a trilha sonora sendo por vezes melosa e ditando as emoções para o espectador. Além do mais, temos Adams e Waltz em papéis habituais. Ela como a mulher ingênua e boazinha, mas com alguma personalidade e ele como o vilão carismático de jeito esquisito. Amy segura bem o papel, embora seja prejudicada por usar peruca muito falsa. Ao menos, as lentes de contato azuis reaçam seu par de olhos expressivos. Ela venceu seu segundo Globo de Ouro consecutivo (venceu ano passado na mesma categoria: melhor atriz - comédia/musical por "Trapaça"), mas, dessa vez, ficou de fora do Oscar. E realmente, apesar de seu bom trabalho, dessa vez, não merecia tal nomeação. Waltz faz seu personagem habitual, não há muito sinal de “composição” de personagem, a não ser o fato dele estar um pouco mais contido por se tratar de um filme biográfico, com drama pé no chão. Ainda assim, sua tendência a ir ao cômico acaba sendo mal explorada e, principalmente, próximo do final isso acaba ficando deslocado. 
   O conflito da personagem poderia ser mais bem explorado, assim como os coadjuvantes, como em um drama psicológico, que era o que se esperava que o filme fosse, mas o clima é leve e a narrativa coriqueira. Ele estar mais preocupada em contar todos os acontecimento do que aprofundar nas personagens. Ainda assim, não se pode ignorar que tudo é contado de forma clara e simpática, com um belo visual e com direito a momentos interessantes de visão socio-cultural. Enfim, quem se interessar pela história e não criar muitas expectativas, deve se envolver com o filme.  

         



 

Vencedores do SAG

A premiação do sindicato de atores foi ontem, 25 de Janeiro, mas só será exibida no Brasil hoje através do canal TNT hoje a partir das 22:30 horas (horário de Brasilia), mas os resultados já circulam pela internet obviamente - tanto da TV quanto do Cinema. 


        Melhor Elenco: Birdman 

Michael Keaton discursou pelo elenco
  O filme era de fato o favorito com seu elenco todo brilhando, desde o fantástico protagonista (Michael Keaton), passando pelos ótimos coadjuvantes (Emma Stone e Edward Norton receberam nomeações merecidas ao Oscar) até as participações muito especiais (destaco Lindsay Duncan como uma revolta crítica de teatro). 
O elenco central com seus SAG
    Esse prêmio mais o prêmio de melhor filme pelo sindicato dos produtores entregue no Sábado colocam "Birdman" como real candidato ao Oscar de melhor filme. Então a onda de "já ganhou" de "Boyhood - Da Infância a Juventude" acabou e os dois estão colados nessa disputa. "O Grande Hotel Budapeste", que venceu o Globo de Ouro e o Critic's Choice Awards de melhor filme - comédia (onde concorria diretamente com "Birdman") e "O Jogo da Imitação" não podem ser descartados por completo, mas estão atrás na disputa.

Julianne Moore vai levar o Oscar
Melhor Atriz: Julianne Moore - Para Sempre Alice

   A única candidata que poderia impedir a tardia vitória de Moore era Jennifer Aniston, mas a sua não vitória no Globo de Ouro e a posterior esnobada no Oscar por seu forte desempenho em "Cake - Uma Razão Para Viver" a tiraram de vez da disputa de qualquer prêmio esse ano. Moore é uma grande atriz e já merece fazer a limpa há muito tempo.

Melhor Ator: Eddie Redmayne - A Teoria de Tudo

Eddie Redmayne complicou a disputa
   Isso praticamente descarta Benedict Cumberbatch por "O Jogo da Imitação" e deixa a disputa única e exclusivamente entre Michael Keaton, que levou o Critic's Choice de melhor ator e o Globo de Ouro de ator em comédia por seu energético trabalho em "Birdman" e Eddie Redmayne, que tinha levado o Globo de Ouro de ator em drama e agora se fortaleceu com o SAG por seu trabalho absolutamente impecável em "A Teoria de Tudo" como o astro-físico Stephan Hawking. Os dois matematicamente estão  empatados, mas os prêmios de Redmayne tem mais peso na disputa do Oscar. Resta esperar o BAFTA para ver se Redmayne toma mesmo a liderança ou se Keaton volta a ser o favorito. De qualquer forma, essa disputa vai ficar indefinida até a cerimônia da academia. Felizmente, ambos estão, de longe, em suas melhores atuações. Então, em mãos erradas o prêmio não irá cair.

Melhor Ator Coadjuvante: JK Simons - Whiplash - Em Busca da Perfeição

JK Simons ganhou pela primeira vez o SAG
   Era o esperado. E o merecido. Mark Rufallo em "Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo" era o mais provável azarão, mas resolveram premiar o ator em outra categoria. Rufallo venceu em uma das categorias de televisão. Ele ganhou como melhor ator em tele-filme ou mini-série por seu belíssimo trabalho em "The Normal Heart", um belo tele-filme da HBO sobre o início das descobertas sobre a AIDS que conta com grande elenco, incluindo Julia Roberts (indicada ao SAG e ao Emmy), Matt Bommer (indicado ao Emmy e vencedor do Globo de Ouro de ator coadjuvante em televisão) e Jim Parssons (indicado ao Emmy). A produção em si também foi premiada e levou o Emmy de melhor tele-filme.

Melhor Atriz Coadjuvante: Patricia Arquette - Boyhood: Da Infância a Juventude
Patricia Arquette e seu primeiro SAG

   E o querido "Boyhood" não saiu sem nada. Patricia Arquette, que interpreta Olivia, a mãe do protagonista, Masson (Ellar Coltrane), levou como o esperado o prêmio de atriz coadjuvante. Ela levou todos os prêmios da categoria até agora. Emma Stone por "Birdman" e Keira Knighley por "O Jogo da Imitação" ainda são possibilidades, mas distantes.

sábado, 24 de janeiro de 2015

SAG

     A premiação do SAG é a comemoração do sindicato dos atores de holywood para os melhores atores e atrizes do cinema e da televisão. Ou seja, é um prêmio dos atores para os atores. Ele ganha atenção, porque é conhecido como fiel termômetro para o Oscar, pois muitos votantes do SAG também votam no prêmio da academia. 

                                                                                                                     Indicados a Melhor Elenco

O enorme elenco de estrelas de O Grande Hotel Budapeste
Boyhood - Da Infância a Juventude
Birdman
O Grande Hotel Budapeste
A Teoria de Tudo
O Jogo da Imitação

  Todos os cinco filmes estão concorrendo ao Oscar de melhor filme, então não dá para cortar nenhum por essa linha de raciocínio. Boyhood vem sendo o favorito do prêmio principal da maioria das premiações, porém aqui o prêmio central não é "Melhor Filme" e, sim, "Melhor Elenco", ou seja, o trabalho dos atores conta mais do que o filme em si. Pelo menos, em tese, porque o SAG muitas vezes prefere escolher o filme que anda com mais badalação nas premiações mesmo quando há outras produções com mais espaço para os atores brilharem. Pelo quesito de atuações, Birdman parece o mais propício a levar, porque deixa espaço para todos os atores brilharem. Não apenas os indicados ao Oscar, Michael Keaton, Edward Norton e Emma Stone, mas todos os atores tem seu espaço, como Naomi Watts, Amy Ryan, Lindsay Duncan até Zach Galifianakis, o cunhado inconveniente de "Se Beber, Não Case". O Grande Hotel Budapeste é centrado basicamente em Ralph Fiennes, mas possui um grandioso número de participações especiais, como Bill Murray, Tilda Swinton, Owen Wilson e Léa Seydoux. 
O extraodinário elenco e o diretor de Birdman
    Em A Teoria de Tudo, cine-biografia do físico Stephen Hawking, só há espaço para ele e sua mulher, Jane, interpretados pelos indicados Eddie Redmayne e Felicity Jones. O Jogo da Imitação segue linha similar, Benedict Cumberbatch segura o filme todo, enquanto apenas Keira Knighley e Matthew Goode têm espaços consideráveis para construir de fato um personagem em tela. Então esses filmes não devem brilhar aqui.
     O delicado Boyhood tem uma meticulosa e despojada construção de personagem, onde vemos Ethan Hawke, Patricia Arquette, Ellar Coltrane e Lorelai Linklater crescendo literalmente em cena. Além de ser o favorito para o Oscar. Então a briga Boyhood vs Birdman aqui estar ainda mais acirrada. E ainda tem O Grande Hotel Budapeste que vem crescendo muito na disputa, então não deve ser descartado de maneira nenhuma.

Vai Levar: Birdman
Pode Levar: Boyhood - Da Infância a Juventude
Azarão: O Grande Hotel Budapeste
Teria meu voto: Birdman

Melhor Atriz

Jennifer Aniston, Cake - Uma Razão Para Viver
Felicity Jones, A Teoria de Tudo
Julianne Moore, Para Sempre Alice
Rosamund Pike, Garota Exemplar
Reese Witherspoon, Livre

Julianne e seu Globo de Ouro
    Normalmente, há uma indicada que não vinga no Oscar. E esse ano não foi diferente: Jennifer Aniston parecia que conseguiria sua primeira indicação ao prêmio da academia, mas acabou ficando de fora da lista. Isso já automaticamente lhe corta como possível vencedora. O SAG nunca premiou uma atriz que nem foi indicada ao Oscar. Sobram quatro. Jones é muito nova, pouco conhecida do grande público (isso deve mudar logo...) e o grande destaque do filme é Eddie Redmayne, embora seu trabalho seja ótimo. Reese é uma atriz querida e que vem tentando mudar o rumo de sua carreira, que andava estagnada em filmes muito similares e medíocres como "Guerra é Guerra", mas já ganhou na premiação (por "Johnny e June", que também lhe rendeu Oscar e Globo de Ouro) e dificilmente vão lhe dar outra estatueta esse ano, embora "Livre" seja seu melhor trabalho. Então a disputa estar entre Rosamund Pike e Julianne Moore. Pike fez enorme sucesso com "Garota Exemplar". Depois de ficar anos fazendo coadjuvantes insignificantes, ela conseguiu o papel que pode mudar sua carreira. Entretanto, há certa dívida com Julianne Moore, tendo seis indicações nas categorias de cinema, um recorde de indicações sem vitória. Moore já ganhou como melhor atriz em tele-filme por sua atuação como a política Sarah Paulin em "Virada no Jogo". Entretanto, ela é cria mesmo do cinema e há tempos merece vencer por seu trabalho nele. Ela ganhou ainda mais força quando saiu vitoriosa do Globo de Ouro e do Critic's Choice Awards. Então, difícil ela sair de mãos vazias dessa vez. Antes tarde do que nunca!

Vai Levar: Julianne Mooore - Para Sempe Alice
Azarona: Rosamund Pike - Garota Exemplar
Teria Meu Voto: Julianne Moore - Para Sempre Alice

Melhor Ator

Steve Carrel, Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo
Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação
Jake Gylenhall, O Abutre
Michael Keaton, Birdman
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo

Michael Keaton e seus dois Critc's Choice 
    A regra que dos indicados ao SAG um ficar de fora do Oscar também se aplica aqui. Jake foi o grande injustiçado do ano. Já faz dez anos desde sua primeira e até então única indicação por "O Segredo de Brockback Mountain". Era o momento ideal para ele receber uma segunda nomeação por sua brilhante atuação como o psicopata em "O Abutre". Então, ele assim como Aniston também não levará o prêmio (nenhum ator ganhou SAG sem, ao menos, ter sido indicado ao Oscar). Carrel, ator cômico de filmes como "O Virgem de 40 Anos", estar completamente diferente em "Foxcatcher". Ele era o favorito no início do ano, mas o tempo passou e ele esfriou na disputa. Então a linha de frente é formada por Keaton, Cumberbatch e Redmayne. Cumberbatch perdeu forças ao perder o Globo de Ouro para Eddie como melhor ator em drama (Keaton ganhou como ator em comédia) e possui outra indicação na categoria de televisão, então é provável que seus votos se dividam. Redmayne tem grandes chances, porque até o próprio Stephan Hawking elogiou sua interpretação, porém ele ainda é muito novo e possivelmente queiram esperar mais tempo para o premiarem. Já Keaton parece irresistível; um ator que fez muito sucesso no passado, retorna recebendo todos os elogios possíveis por um filme cheio de meta-linguagem de sua própria história. Vale frisar que a disputa de ator estar muito difícil, porque todos os indicados são excepcionais.

Deve Levar: Michael Keaton - Birdman
Pode Levar: Eddie Redmayne - A Teoria de Tudo
Azarão: Benedict Cumberbatch - O Jogo da Imitação
Teria Meu Voto: Benedict Cumberbatch - O Jogo da Imitação

Atriz Coadjuvante
Patricia com seu Globo de Ouro

Patricia Arquette, Boyhood - Da Infância a Juventude
Keira Knighley, O Jogo da Imitação
Meryl Streep, Caminhos da Floresta
Emma Stone, Birdman
Naomi Watts, Um Santo Vizinho

    A regra do "sai um" continua. Naomi Watts não entrou no Oscar por sua inusitada composição de stripper grávida de ascendência russa. O ano parece ser de Patricia Arquette, que faz um belo trabalho em "Boyhood". Além do mais, o filme favorito não pode sair de mãos vazias. É difícil ver alguém tomar seu lugar, mas se fosse para arriscar um nome seria Keira Knighley. Uma atriz famosa num papel real e importante em um filme que estar perigando sair de mãos vazias.

Deve Levar: Patricia Arquette - Boyhood - Da Infância a Juventude
Azarona: Keira Knighley - O Jogo da Imitação
Teria Meu Voto: Patricia Arquette - Boyhood - Da Infância a Juventude

Ator Coadjuvante

Robert Durvall, O Juíz
Edward Norton, Birdman
Ethan Hawke, Boyhood - Da Infância a Juventude
Mark Ruffalo, Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo
JK Simons, Whiplash - Em Busca da Perfeição
Simons em seu discurso no Globo de Ouro

    Aqui a regra não se aplicou. Todos os indicados entraram no Oscar, mas nem por isso a disputa estar mais acirrada. JK Simons vem ganhando praticamente tudo por sua forte atuação em "Whiplash". Mark Ruffalo e Edward Norton são possibilidades, mas distantes. 

Vai Levar: JK Simons - Whiplash - Em Busca da Perfeição
Azarões: Mark Ruffalo - Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo e Edward Norton - Birdman
Teria Meu Voto: JK Simons - Whiplash - Em Busca da Perfeição

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Oscar 2015

     Depois de muitas premiações (todas as associações de críticos, Globo de Ouro, BAFTA, sindicato de atores, sindicato de diretores, sindicato de roteiristas...) revelarem seus indicados chegou a hora da Academia.

Indicados a Melhor filme

Boyhood - Da Infância a Juventude
Birdman
O Grande Hotel Budapeste
A Teoria de Tudo
O Jogo da Imitação
Selma
Whiplash - Em Busca da Perfeição
Sniper Americano


Boyhood, o favorito
     Os indicados desse ano são, no mínimo, ótimos. Nenhum filme chegou aqui sem algum merecimento. Mas, como sempre, há ausências. Ausências boas e ausências ruins. Comentou-se muito sobre a não presença de "Invencível", épico dirigido pela Angelina Jolie. O filme é, de fato, bem realizado, mas Jolie ainda vai ter que amadurecer muito como diretora, principalmente, na questão de sua linha autoral - lhe falta um pouco de pulso e personalidade ainda. Então, a ausência de seu filme mostra que academia estar séria e não é por ser dirigido por uma atriz famosa que ele será favorecido. Ponto para a academia. O musical "Caminhos da Floresta", a nova aposta da Disney para conseguir indicações ao Oscar depois da campanha frustada de "Walt Nos Bastidores de Mary Poppins" ano passado, também estava cotado para a categoria principal. Embora ele tenha seus méritos, de fato, não merecia tal indicação. Senti falta mesmo de "O Abutre" - "Whiplash" também é um filme independente de diretor ainda pouco experiente, então dificilmente eles indicariam os dois -, "Garota Exemplar" (um enorme sucesso de bilheteria e um dos melhores trabalhos de David Fincher [A Rede Social, Quarto do Pânico, O Curioso Caso de Bejamim Burton]), "Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo" (o filme é muito bom, mas entendo sua ausência, porque se trata de um filme estranho e nem sempre compreendido) e "O Ano Mais Violento" (esse, tadinho, foi completamente ignorado, apesar dos vários elogios da crítica).
Emma Stone, indicada, em cena de Birdman, forte candidato
     Os favoritos continuam sendo "Boyhood", um sucesso do cinema independente norte-americano e que os americanos estão se identificando muito, e "Birdman", esse bastante cultuado pelas pessoas do meio artístico já que trata dos bastidores do teatro. Ambos são filme autorais, bastante particulares e de qualidade. Difícil disputa, porque ambos são muito diferentes. A bela cine-biografia "O Jogo da Imitacão" e a dramédia "O Grande Hotel Budapeste" comem por fora, embora com chances pequenas de levar o prêmio maior.   

Melhor Diretor

Richard Linklater - Boyhood - Da Infância a Juventude
Wes Anderson - O Grande Hotel Budapeste
Bennet Miller - Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo
Morten Tyldum - O Jogo da Imitação
Alejandro González Iñárritu - Birdman


O diretor Linklater dirigindo o protagonista, Ellar Coltrane
     A surpresa ficou pela ausência da diretora Ava DuVernay de "Selma", que se indicada teria sido a primeira mulher negra a ter sido nomeada na categoria. Além do recorde histórico, o trabalho dela no filme, um recorte sobre as passeatas organizadas por Martin Luther King para que a população negra conseguisse o direito de votar, é excepcional. Realmente, uma pena sua ausência. Mas todos os indicados são de nível. O trabalho de Linklater é praticamente artesanal, Wes Anderson sabe como ninguém encontrar equilíbrio naquele mundo das maravilhas (com pé no chão) que ele criou. O que dizer do mexicano Iñárritu em seu trabalho extremamente ousado em "Birdman"? Excelente. E ainda lembraram de Bennet Miller, que embora premiado na categoria no Festival de Cannes, não havia recebido indicação em nenhum outra premiação. Seu olhar na história real contada é dos melhores; discreto, atento e nada óbvio. O noruguês Morten Tyldum conseguiu grande repercursão com seu primeiro filme em inglês; que é, de fato, um belo trabalho. Gostaria muito também que David Fincher (Garota Exemplar) e  Damien Chazelle (Whiplash) tivessem entrado. Mas a seleção da Academia foi das melhores.

Melhor Atriz

Marion Cottilard, Dois Dias, Uma Noite
Felicity Jones, A Teoria de Tudo
Rosamund Pike, Garota Exemplar
Julianne Moore, Para Sempre Alice
Reese Witherspoon, Livre


Moore, rumo a vitória
 Uma das maiores supressas aconteceu nessa categoria. Jennifer Aniston, uma das atrizes mais populares e poderosas de Holywood fez uma enorme campanha para gerar atenção para seu desempenho (de fato excepcional) em "Cake - Uma Razão Para Viver", mas na última hora perdeu a vaga para a atriz francesa (!) num filme francês (!) dirigido pelos irmãos Dardenne, realizadores belgas (!). Marion, por outro lado, não moveu um dedo para se promover. A única coisa que sua distribuidora fez foi lançar o filme no final de dezembro para ele poder ser elegível. Dessa forma, Marion, que já levou o Oscar por sua arrasadora performance em "Piaf - Um Hino Ao Amor", recebeu uma tardia segunda indicação por sua impecável atuação em "Dois Dias, Uma Noite".
Aniston por "Cake" ficou de fora
    Todas as outras já eram esperadas. Rosamund Pike foi uma das revelações do ano em "Garota Exemplar", Reese Witherspoon desceu do salto, tirou a maquiagem e se jogou de cabeça na história real de "Livre" e Felicity Jones, uma atriz britânica novinha, interpreta com extrema delicadeza a mulher do físico Stephan Hawking, Jane, numa das histórias de amor mais bonitas do ano, porém a favorita continua sendo Julianne Moore, que depois de anos fazendo trabalhos excepcionais em filmes como "As Horas", "Magnólia", "Longe do Paraíso", "Minhas Mães e Meu Pai" e até no último filme da franquia Jogos Vorazes, "A Esperança - Parte 1", parece que finalmente vai ganhar a estatueta. Se, de fato, vencer será merecido por sua impecável composição no belo "Para Sempre Alice". 

Melhor Ator

Bradley Cooper, Sniper Americano
Benedict Cumberbatch, O Jogo da Imitação
Eddie Redmayne, A Teoria de Tudo
Michael Keaton, Birdman
Steve Carrel, Foxcatcher - A História que Chocou o Mundo


Keaton, a grande volta por cima do ano
      Esse ano foram tantas atuações masculinas excepcionais que dava para montar uma outra lista de indicados só com os que ficaram de fora. Ela seria formada por Jake Gylenhall, brilhante em "O Abutre", Ralph Fiennes em seu melhor papel em anos em "O Grande Hotel Budapeste", David Oyelowo ótimo como Martin Luther King em "Selma", Oscar Issac excelente em "O Ano Mais Violento" e Timothy Spall premiado no último festival de Cannes por sua atuação em "Sr Turner". Eu senti falta, principalmente, de Jake, que merecia uma segunda nomeação depois de ter sido indicado por "O Segredo de Brockback Montain" dez anos atrás. A maior surpresa foi a presença de Bradley Cooper, que depois de ser indicado ano passado como coadjuvante com "Trapaça" e como protagonista no ano retrasado com "O Lado Bom da Vida", esperava-se que a academia fosse preferir dar espaço para outro ator. Mas eles realmente gostam dele. E, de fato, há motivos para isso. Desde que surgiu com "Se Beber, Não Case" ele vem arquitetando sua carreira de maneira inteligente e já mostrou que é mais que apenas um galã. Nas mãos do diretor Clint Eastwood, ele tem seu melhor momento em "Sniper Americano", uma história real de um soldado no Iraque, que estar fazendo um enorme sucesso nos Estados Unidos.
Carrel, irreconhecível
      De qualquer forma, isso não deve atrapalhar a vitória de Michael Keaton no papel de sua vida em "Birdman". Já se passaram muitos anos desde seu sucesso como Batman, esse é sua "volta por cima". O que é mais agradável de premiar que isso? Talvez, o jovem ator britânico Eddie Redmayne dando show como o físico Stephan Hawke em "A Teoria de Tudo" ou um dos atores do momento, Benedict Cumberbatch, o Sherlock Holmes da série de sucesso, brilhante como o matemático que trabalhou para desvendar os códigos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial em "O Jogo da Imitação". No início do ano no meio cinematográfico só se falava em Steve Carrel e sua passagem de "O Virgem de 40 Anos" para ótimo ator dramático em "Foxcatcher", onde intepreta o milionário John DuPont, oriundo de uma família tradicional dos Estados Unidos, mas o tempo passou e ele esfriou na disputa, porém, ao menos, conseguiu uma merecida indicação.

Melhor Atriz Coadjuvante

Patricia Arquette, Boyhood - Da Infância a Juventude
Laura Dern, Livre
Meryl Streep, Camihos da Floresta
Keira Knighley, O Jogo da Imitação
Emma Stone, Birdman


Patricia, vencedora de todos os prêmios
  Quem ficou de fora aqui foi Jessica Chastain, ótima como mulher de Gangster em "O Ano Mais Violento" (e ela teve um ano muito produtivo, afinal ela também estar no blockbuster Interestelar, no indie Dois Lados do Amor e na adaptação da peça teatral Miss Julie, todas atuações elogiadas pela crítica), e Rene Russo, uma atriz que há muito tempo não fazia algo notável e tem participação destacável em "O Abutre".
    Dentre as presentes, já virou piada Meryl Streep estar indicada de novo (sua décima nona indicação, ampliando seu próprio recorde...), mas ela, de fato, estar mais uma vez notável. Em "Caminhos da Floresta" ela interpreta a bruxa, onde ela se destaca, em especial, quando solta a voz em um solo emocionante, "Stay With Me". Mas ainda é cedo para lhe darem um quarto Oscar (ela ganhou seu terceiro só faz três anos).
Streep, 19ª indicação
   A favorita é Patricia Arquette, uma atriz de TV que há muito tempo não brilhava, mas ela acertou em cheio em sua composição em "Boyhood", no qual foi gravado ao longo de 12 anos e podemos acompanhar todo o desenvolvimento de sua personagem e de toda uma família. Quem pode acabar com a festa dela? Emma Stone, queridinha de Holywood e ótima em "Birdman", e Keira Knighley como Joan Clarke, que ajudou Allan Turning durante a Segunda Guerra Mundial a trabalhar na quebra de código nazista. Eles formam uma bela dupla em cena e Keira manda bem.

               Melhor Ator Coadjuvante


Da esquerda; Milles Teller e JK Simons, o favorito
Robert Durvall, O Juíz
Ethan Hawke - Boyhood - Da Infância a Juventude
Mark Ruffalo, Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo
JK Simons - Whiplash - Em Busca da Perfeição
Edward Norton - Birdman


     Essa categoria foi exatamente como era esperado. Nenhum azarão. O ator veterano Robert Durvall mostrou que continua em forma no drama de tribunal "O Juíz", onde contracena com Robert Downey Jr (Homem de Ferro), Ethan Hawke fez um belo trabalho de construção de personagem em "Boyhood", Ruffalo dá um tom humano, bondoso e por isso mesmo paradoxal ao de Carrel em "Foxcatcher" e Edward Norton estar divertidíssimo como o ator egocêntrico e pirado em "Birdman", mas nenhum deles parece ser páreo para JK Simons, um daqueles atores que todo mundo já viu, mas ninguém sabe o nome. Mesmo assim,  ele é sempre um bom coadjuvante e "Whiplash" é seu melhor trabalho. Ele interpreta com força e garra (quase literais...) um professor de música extremamente exigente. É daquele tipo que você pode cantar que nem Beyoncé ou tocar que nem Beethoven e, ainda assim, ele vai dizer "se esforce mais. Ainda não estar bom o suficiente".

 Melhor Roteiro Original

Boyhood - Da Infância a Juventude
O Grande Hotel Budapeste
Birdman
Foxcatcher - Uma História que Chocou o Mundo
O Abutre


Ralph Fiennes em cena de O Grande Hotel Budapeste
     A disputa estar forte entre O Grande Hotel Budapeste e Birdman. E Boyhood come por fora. Em qualquer um dos casos o prêmio estará em boas mãos. O Hotel Budapeste consegue um equilíbrio incrível entre drama e humor, tom infantil e pé no chão, além de administrar muito bem a imensa quantidade de personagens e reviravoltas na trama. Birdman tem uma história muito particular, com vários personagens surtados à beira do ataque de nervos, diálogos memoráveis e um olhar muito ácido e, ao mesmo tempo, bonito para o meio artístico. E, por fim, Boyhood tem o desenvolvimento de personagem mais cuidadoso dos últimos tempos, além de diversos diálogos bonitos e identificáveis pelo público.

Melhor Roteiro Adaptado

O Jogo da Imitação
A Teoria de Tudo
Whiplash - Em Busca da Perfeição
Sniper Americano
Vício Inerente

Benedict e Keira em cena de O Jogo da Imitação
     Algo muito estranho aconteceu nessa categoria. Simplesmente, o favorito foi esnobado. A adaptação do livro Garota Exemplar foi cuidadosamente feita pela própria escritora do best-seller, Gilian Fylnn, e estava ganhando todos os prêmios do ano. Talvez, os votantes não tenham votado nela porque era uma "certeza" e aí tentaram emplacar outros títulos que aparentemente tinha menos chances. E conseguiram, porque "Vício Inerente" já não estava entre os mais cotados há um bom tempo. Motivo? O filme é muito louco. Mas é muito mesmo. É uma experiência interessante para bem e para mal, porém não é daquelas que a agrada a maioria de  jeito nenhum. Sem a tal Garota Exemplar no páreo, as cine-biografias britânicas "A Teoria de Tudo" e "O Jogo da Imitação" devem brigar pela estatueta. Mas com o sucesso do filme do Clint Eastwood, não estranharia se "Sniper Americano" acabasse levando. "Whiplash" recebeu muitos elogios, mas não o vejo levando por um motivo simples; ele não é roteiro adaptado. Foi um erro de classificação, porque há um curta-metragem homônimo do mesmo diretor, mas o roteiro desse curta não foi feito antes do longa. Na verdade, trata-se do mesmo roteiro. O roteiro do curta é apenas uma cena do longa-metragem filmada antes (e com outro ator no lugar do Miles Teller). Esse curta foi feito para que o diretor conseguisse arrecadar fundos. E conseguiu isso e muito mais.

Melhor Filme Estrangeiro

Leviatã - Rússica
Ida - Polônia
Tengerinas - Estônia
Relatos Selvagens - Argentina
Timbuktu - Mauritânia

Relatos Selvagens, da Argentina, pode surpreender
     Embora o Brasil estivesse muito bem representado pelo belo "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho", senti mesmo a ausência dos excelentes "Mommy" (Canadá) e "Dois Dias, Uma Noite" (Bélgica). Também comenta-se a falta de "Força Maior" (Suécia) e "Sono de Inverno" (Túrquia). Os brasileiros vão abrir uma exceção e vão torcer pela Argentina por sua excepcional comédia de humor ácido "Relatos Selvagens", que além do enorme sucesso na própria Argentina também teve boa repercurssão aqui. O filme, de fato, pode surpreender, mas os favoritos são o drama russo "Leviatã", uma crônica agridoce sobre o sistema da Rússia (não muito diferente do que "funciona" no Brasil), e o polônes "Ida", um retrato das marcas deixadas pela Segunda Guerra mundial através do encontro de uma noviça e sua tia, uma mulher muito liberal. 

Melhor Animação

Operação Big Hero
Como Treinar Seu Dragão 2
Os Boxtrolls
O Conto da Princesa Kaguya
Song of the Sea 

     A surpresa ficou pela ausência do sucesso "Uma Aventura Lego", que gerou a maior polêmica. De fato, ele merecia. Mas é muito positiva a lembrança do britânico "Os Boxtrolls", do japonês "O Conto da Princesa Kaguya" (esse, em especial, enaltecido pela imprensa...) e o irlândes "Song of The Sea". Os Estados-Unidos estão bem representados: Operação Big Hero e Como Treinar Seu Dragão 2 são boas animações.

            Melhor Canção Original

Keira e Mark  em cena de Mesmo Se Nada Der Certo
Lost Stars, cantada pelo Adam Levine (do Maroon 5) e Keira Knighley, Mesmo Se Nada Der Certo
Glory, cantada pelo John Legend e Cammon, Selma
Grateful, cantada pela Rita Ora, Além das Luzes
Everything Is Awesome, cantada por Tegan & Sara e The Lonely Island, Uma Aventura Lego
I'm Not Gonna Miss You, cantada por Glenn Campbell, Glenn Campbell...I'll Be Me

     A academia continua bem tradicional em termos musicais. Lana Del Rey e sua bela canção ("Big Eyes") do filme Grandes Olhos, Lorde e seu tributo a protagonista de Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 ("Yelow Flicker Beat") e Patti Smith e sua soturna canção de Nóe ("Mercy Is") foram as ausências mais sentidas. Todas mereciam nomeações.
John Legend e Common devem levar a estatueta
   As melhores lembranças foram "Glory", música de enceramento arrasadora do filme "Selma" (deve levar merecidamente), e "Lost Stars", envolvente canção da comédia romântica "Mesmo Se Nada Der Certo", sobre o envolvimento de um produtor musical (Mark Rufallo) com uma aspirante a cantora (Keira Knighley). A música do Lego é uma piada do filme, não faz muito sentido indica-la (mas como deixaram de fora da categoria de animação foi uma forma dele não passar em branco). "Grateful" é uma boa e tradicional canção soul com gancho pop cantada pela Rita Ora do filme "Além das Luzes", sem data de estréia no Brasil, assim como a balada "I'm Not Gonna Miss You" cantada pelo cantor country Glenn Campbell, do documentário sobre ele, "Glenn Campbell.... I'll Be Me". 

   A cerimônia da academia não coincidirá com o Carnaval como aconteceu no ano passado. Ela acontece dia 22 de fevereiro. Será transmitida pela Globo e pelo canal fechado TNT. Antes disso, há uma cerimônia importante que também será exibida pela TNT; o SAG, o prêmio do sindicato de atores. São os prêmios dos atores para os atores, tanto de cinema como de televisão. Acontece dia 25 de fevereiro e funciona como importante prévia do Oscar nas categorias de atuação, principalmente, pelo fato de que muitos atores votantes do sindicato também votam no Oscar.


domingo, 4 de janeiro de 2015

Estréia - A Entrevista



A Entrevista (The Interview) Estados Unidos, 14. Direção de Seth Rogen e Evan Goldberg. Com Seth Rogen, James Franco, Lizzy Caplan, Diana Bang eRandall Park. 112 min.


Uma polêmica é boa quando não é vázia, o que não é o caso da criada por “A Entrevista”, porque se dá totalmente por fatores externos e nada pelo filme em si, que pouco se difere dos que já vimos (e melhor) nos Estados Unidos. Tudo se deu por que o filme resolve satirizar, dentre outras coisas habituais (como os próprios protagonistas e atores em participações especiais), a Coréia do Norte, que vive em um regime de ditadura. O país não gostou nada disso e ameaçou ataques terroristas em cinemas onde o filme entra-se em cartaz. Por isso, houve a transferência para uma estréia on-line do filme. Isso acabou atraindo bastante atenção dos curiosos. Mas o filme em si não tem nada de muito crítico ou ousado, é apenas mais uma comédia americana baseada em citações a cultura pop atual, bromance e apostando em situações de constragimento e até do ridículo. Nesse mesmo ano, houve exemplos melhores, como “Vizinhos”, estreldo pelo próprio Seth Rogen, e “Anjos da Lei 2”. Tirando as referências ao país ditatorial, sobra apenas mais um exemplo de filme para garatões nessa mesmo vibe, mas com menos inspiração e bons momentos.
Rogen e Franco trabalham em um programa de entrevista de humor. Quando descobrem que o líder da Coréia do Norte é fã dele, eles resolvem realizar uma entrevista com ele lá na Coréia. O FBI descobre e resolve bolar com eles um plano para matar o ditador. Embora a trama seja interessante e tenha algo de original, o clima de repetição percorre todo o filme, incluindo mais insinuações que James Franco é gay. Ele, inclusive, estar histérico no papel, abusando da persona que criou para si. Ele como ele mesmo em “É o Fim” é mais engraçado e convicente. Seth Rogen não cai na mesma linha do over e se mantém mais contido e eficiente como de costume. Lizzy Caplan, de Masters of Sex, como uma agente de FBI tem pouco espaço ou que fazer, já Randall Park, que sempre faz pontas em comédias, realmente convence como presidente ditador Ken. A novata Diana Bang tem participação que beira ao ridícul como uma das fiéis esculdeiras do presidente.
Franco, entre os cotados para piores do ano
É inegável que há bons momentos (a cena com Eminem logo no começo), mas faltou inspiração e maior aproveitamento da história tão polêmica. A maioria das piadas parece reciclada inclusive pelo próprio filme que costuma cair em repetição. Graças as polêmicas envolvendo o filme, ele acabou gerando atenção suficiente para entrar na pré-lista do Framboesa de Ouro, que “premia” os piores do ano, embora não deva entrar na lista de indicados finais. Se ocorrer, provavelmente, será por conta dos excessos de Franco.