Grandes Olhos (Big Eyes) Dirigido por Tim Burton. Com Amy Adams e Christopher Waltz.
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| Amy Adams venceu o Globo de Ouro |
Esse simpático filme de
Tim Burton sofreu do mal da alta expectativa. A distribuidora do filme, a
Weinstream Company, é especialista em fazer campanha para o Oscar e demais
premiações, a história era real e interessante, os atores do elenco eram todos
bons, uma das cantoras do momento Lana Del Rey foi escolhida para fazer
canções para o filme e o diretor Tim
Burton parecia estar querendo finalmente ser reconhecido pela academia – depois
de bater na trave anos atrás com “Ed Wood” (1994) e posteriormente com “Sweeney
Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” (2007). Mas com essas expectativas e um
ano cheio de cinebiografias tão bem feitas (especialmente “A Teoria de Tudo” e
“O Jogo da Imitação”), essa, menos bem resolvida dramaticamente e não tanto
explorada quanto poderia, acabou indo para escanteio e ganhando o rótulo de
“decepção”. Bem, não é bem assim. O globo de ouro acenou positivamente para o filme
lhe dando três indicações, incluindo atriz (Adams, que venceu) e ator (Waltz),
mas elas aconteceram porque conseguiram colocar o filme para concorrer entre as
comédias e os musicais (e não entre os dramas), o que inicialmente não era o
planejado, mas aconteceu graças, sobretudo, a recepção morna. Há doses de
humor, mas nada que o consiga o classificar como comédia. Isso certamente foi
uma jogada para não deixar o filme de fora.
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| Watz foi indicado ao Globo de Ouro |
Dito
isso, o filme segue a vida da pintora Magareth Keane (Amy Adams), que pintava
em feiras como hobby enquanto batalhava par sustentar ela e a filha, já que
havia se divorciado e queria total distância do ex-marido. Ela acaba se casando
com Walter Keane (Christopher Waltz), um pintor sedutor e inteligente, mas que
se limita a pintar banais pontos turísticos. Ela tem uma arte mais
interessante, pinta crianças com olhos grandes e expressivos (por isso o título
do filme), que virou sua marca. Com a lábia e os contatos do marido, acaba
conseguindo expor as telas suas e as deles também. As dela acabam ganhando muito
mais notoriedade. Ele, vaidoso e marqueteiro, acaba confirmando que ele é que
pinta os quadros. E dessa forma começa o sucesso (dele) como (falso) artista e
uma enchurada de mentiras.
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| O filme ficou completamente fora da corrida do Oscar |
Burton estar em tom bem menor que seu habitual. E
parece mesmo estar querendo agradar. Há basicamente apenas uma cena no
supermercado onde toca a música “Big Eyes” de Lana Del Rey, que concorreu ao
Globo de Ouro e ao Critic’s Choice Awards, onde nitidamente se percebe que
trata-se de um filme de Tim Burton. Mas no geral o longa segue várias táticas
que já deram certo, como toda a estética do filme soar como se fosse um quadro
da prórpria Magareth em moviemento (isso tem na cinebiografia de “Frida”),
coloca a verdadeira pintora em ponta (há isso em “Erin Brochvinch – Uma Mulher
de Talento”) e a trilha sonora sendo por vezes melosa e ditando as emoções para
o espectador. Além do mais, temos Adams e Waltz em papéis habituais. Ela como a
mulher ingênua e boazinha, mas com alguma personalidade e ele como o vilão
carismático de jeito esquisito. Amy segura bem o papel, embora seja prejudicada
por usar peruca muito falsa. Ao menos, as lentes de contato azuis reaçam seu
par de olhos expressivos. Ela venceu seu segundo Globo de Ouro consecutivo (venceu ano passado na mesma categoria: melhor atriz - comédia/musical por "Trapaça"), mas, dessa vez, ficou de fora do Oscar. E realmente, apesar de seu bom trabalho, dessa vez, não merecia tal nomeação. Waltz faz seu personagem habitual, não há muito sinal
de “composição” de personagem, a não ser o fato dele estar um pouco mais
contido por se tratar de um filme biográfico, com drama pé no chão. Ainda
assim, sua tendência a ir ao cômico acaba sendo mal explorada e,
principalmente, próximo do final isso acaba ficando deslocado.
O
conflito da personagem poderia ser mais bem explorado, assim como os
coadjuvantes, como em um drama psicológico, que era o que se esperava que o
filme fosse, mas o clima é leve e a narrativa coriqueira. Ele estar mais
preocupada em contar todos os acontecimento do que aprofundar nas personagens.
Ainda assim, não se pode ignorar que tudo é contado de forma clara e simpática,
com um belo visual e com direito a momentos interessantes de visão
socio-cultural. Enfim, quem se interessar pela história e não criar muitas
expectativas, deve se envolver com o filme.































