Na corrida para o Oscar, suspense faz forte denúncia sobre a forma de colher e noticiar sobre a violência urbana
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| Gylenhall, na mira do Oscar |
‘Nightcrawler’,
o título original do filme, que significa basicamente noturno se designa a
homens que rondam a madrugada para filmar cada assalto, cada morte, cada
abordagem da polícia para vender para meios de comunicação que divulgam o caos
o urbano. Esse é o caso de Louis Bloom (Gylenhall), um homem frio e esquisito que
com jeitinho acaba conseguindo ligações com Nina (Russo), chefe de um noticiário um tanto sensacionalista, que começa a comprar seus vídeos. O cara pega gosto pelo trabalho e será nesse ambiente em que essa talentosa estréia na direção do roteirista Dan Gilroy irá se centrar, envolvendo casos de assassinato e perseguições policiais. Trata-se de um suspense com considerável nível de ação, mas nada gratuito ou banal como de costume, tudo estar dentro de um contexto, filmado com estilo e tensão crescente. Acaba sendo um olhar ácido para o sensacionalismo dos noticiários que vendem o medo e o pânico generalizado, sem devido aprofundamento nos casos e tomando posições nem sempre coerentes.h O elenco principal tem trabalho destacável. Gylenhall estar sem dúvidas em seu melhor momento e parece estar especialista em personagens esquisitos, como fez em "Os Suspeitos" e também em "O Homem Duplicado", mas não há repetição e, sim, uma nova composição; bastante particular e hipnótica. Onze quilos mais magro que seu habitual, ele consegue fugir completamente de seu posto de galã e entrega uma impactante atuação que vai revelando aos poucos até onde a personagem pode chegar. Ele estar indicado ao Globo de Ouro, Critic's Choice Awards (a maior premiação de críticos dos Estados Unidos), SAG (sindicato dos atores de Holywood), Indie Spirit (a premiações do cinema independente dos Estados Unidos) e certamente deve aparecer no Oscar. Rene Russo há anos não faz nada notável, mas tem aqui uma boa oportunidade (dada pelo seu marido, o diretor) de começar uma volta por cima. Na pele de uma mulher que nitidamente já teve glória e atualmente só resta vestígios disso, ela tem momentos marcantes, embora sua participação seja consideravelmente pequena. Ela é uma possibilidade entre as indicadas de melhor atriz coadjuvante. Outra que surpreende é a revelacão Riz Ahmed, indicado ao Indie Spirit de ator coadjuvante, que interpreta o ajudante. Alguns apresentadores de televisão aparecem como si próprios seja na TV ou nos bastidores do jornal.
g Trata-se de um raro tipo de produção por se tratar de violência com considerável crueza, mas também com bastante embasamento e a partir de uma história inusitada devidamente bem desenvolvida, por isso uma indicação a melhor roteiro original seria merecida. No Critc's Choice e no Indie Spirit, ele já foi lembrado. Enfim, uma grata surpresa.

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