quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Estreia - Diana


Dirigido por Oliver Hirschbiegel. Com Naomi Watts e Naveen Andrews. 

Filme retrata Lady Di de maneira simplista em cinebiografia que pouco acrescenta


2013 estar sendo o ano das cinebiografias, mas das cinebiografias frustantes. A melhor até então é “Renoir”, sobre o pintor francês que é um filme simpático e pouco mais que isso, mas também teve “Jobs”, sobre o criador da apple, que é de uma superficialidade assustadora. E ainda teve “Lovelace”, que era uma  visão unilateral da protagonista de “Garganta Profunda”, e também “Camille Claudel, 1915”, um retrato desagrádavel do sofrimento da amante do escultor Rodin que também era artista plástica. Em breve vai ter mais um longa sobre Mandela, outro sobre um tal de um mordono negro que acompanhou cinco presidentes na casa branca e ainda tem um sobre os criadores do polêmico site WikiLeaks, mas quem cheogu primeiro ao Brasil (nos Estados Unidos, a estréia é primeiro de novemebro) foi a princessa mais adorada de todas.
Diferente do esperado, o filme “Diana” estar sendo destruído pela crítica e ignorado pelo público. Antes do lançamento, ele estava causando altas expectativas, afinal Naomi Watts é uma das melhores atrizes de sua geração e o diretor era o alemão Oliver de “A Queda! – As Últimas Horas de Hitler”, que foi indicado ao Oscar de filme estrangeiro e era um impecável relato sobre os momentos finais do ditador alemão. Ainda assim, o fato do filme ser baseado no livro “Diana: O Último Amor da Princessa”, que apenas relata um romance segredo que a princessa de Gales teve com um médico paquistanes, criou algumas ressalvas. E, de fato, o filme não é muito mais que isso. O longa inicia no dia de sua morte, depois volta dois anos no tempo para contar como eles se conheceram, as dificuldades do relacionamento e como eles estavam quando ela morreu. Até poderia dar certo, afinal “Sete Dias Com Marilyn” pega um momento nada especial da vida de Marilyn Monroe e consegue dissecar a personalidade dela muito bem. Não é o caso de “Diana”, que mostra a princessa da forma mais óbvia possível.
O longa mostra o relacionamento dos dois e tenta reafirmar que Diana é como qualquer outra mulher. Ele não gosta de exposição, não sabe como reagir com o assédio, sua família é conservadora, mas ele estar loucamente apaixonado por ela. Já ela é rodeada de luxo e fama, mas se sente só e precisa de um amor verdadeiro. Essa história é velha, já vimos ela antes. “Um Lugar Chamdo Nothing Hill” é um exemplo disso. A diferença é que essa é a história de amor de DIANA, então aparece seu interesse por causas sociais.
O problema é que o romance central não segura o filme. O casal não tem química, os diálogos são por vezes artificiais e a direção não tem nada da elegância de “A Queda!”. Na verdade, ela é bastante banal, quase televisiva e quando mostra alguma personaldade é forçada - vide a cena inicial que a câmera recua brusamente quando a protagonista olha para atrás.
Quanto ao elenco, não há nenhum coadjuvante relevante, tudo é jogado para o casal central, o que poderia ser ótimo, mas não é. Quem faz o médico-amante é Naveen Adrews, da série “Lost”. Ele é forçadinho e nada carismático. Em relação a Naomi, que todo mundo que já viu “Cidade dos Sonhos”, “21 Gramas” ou até mais recentemente em “O Impossível” sabe que é boa atriz, não faz feio, mas não chega a obter grandes resultados. Ela pega alguns trejeitos de Diana, mas não chega a captar sua essência. Aquela simpátia enorme, aquela espontaniedade que todos adoraram nela não tem muito em sua interpretação quase sempre calculada - e isso é bastante culpa do roteiro, que nunca é realista, estar mais para comédia romântica de tão leve e artificial.
Enfim, deve servir para os curiosos e não chega a irritar muito, mas não consegue obter suas ambições: 1 – decifrar quem foi Diana e 2 – qual foi sua importância e impacto. Para esse segundo item tem a cinebiografia “A Rainha”, que apesar de retratar a época após sua morte, mostra perfeitamente o peso que Diana teve. Essa, sim, é uma cinebiografia de diálogos ácidos e inteligentes, com direção segura e precisa e, claro, atuações magníficas.